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De jogador anónimo a ameaça europeia: Rui Borges surpreende França e prepara-se para desafiar o PSG

 


Rui Borges é hoje um dos nomes mais falados do futebol português e começa, finalmente, a ganhar dimensão internacional. A poucos dias de um duelo decisivo frente ao Paris Saint-Germain, para a UEFA Champions League, o treinador do Sporting foi alvo de uma reportagem elogiosa do prestigiado jornal francês L’Équipe, que traça um retrato inesperado de um técnico que passou praticamente despercebido como jogador, mas que se está a afirmar como um dos treinadores mais interessantes da nova geração europeia.

«Muito melhor treinador e amigo do que jogador». A frase, dita por José Luís, antigo companheiro de equipa de Rui Borges no Mirandela, resume de forma crua e honesta a carreira do agora técnico leonino enquanto futebolista. O L’Équipe não foge a essa realidade: Borges nunca conheceu a elite enquanto jogador, somou 17 épocas longe dos grandes palcos e nunca ultrapassou a Segunda Divisão portuguesa. Uma carreira discreta, quase invisível, que contrasta violentamente com o estatuto que hoje ocupa no futebol nacional.

Aos 44 anos, Rui Borges é o homem forte do Sporting. Um treinador que conduziu os leões à dobradinha na época passada — feito que o clube não alcançava desde 2002 — e que agora tenta afirmar-se também na Europa, num palco onde poucos treinadores portugueses conseguem deixar marca. Para os franceses, o contraste entre o passado modesto e o presente ambicioso é precisamente o que torna a história de Borges fascinante.

O jornal destaca a sua “ascensão metódica”, sustentada numa forte confiança em si próprio e numa capacidade rara de liderança. Carlos Correia, antigo treinador e ex-presidente do Mirandela, recorda um Rui Borges curioso, atento e obcecado com o jogo, mesmo quando ainda era jogador. «Queria sempre perceber os exercícios, o porquê das coisas serem feitas. Já nessa altura era um estudante do futebol», lembra.

Essas características mantêm-se intactas. Segundo o L’Équipe, Rui Borges é hoje um treinador profundamente positivo, que acredita genuinamente nas suas ideias e consegue transmitir essa crença aos jogadores. Um detalhe que se revelou fundamental na sua chegada a Alvalade, marcada por alguma desconfiança interna e externa. Afinal, suceder a Ruben Amorim não era tarefa simples.

Numa fase inicial, Borges optou por alguma prudência, adaptando-se ao legado do antecessor e implementando um sistema com três centrais, semelhante ao modelo que havia dado sucesso ao Sporting. A decisão foi estratégica e inteligente, permitindo estabilidade numa fase delicada. Esta época, porém, voltou à sua matriz original — e os resultados falam por si.

Com um futebol atrativo e ofensivo, o Sporting soma 50 golos em 18 jogos no campeonato, números que impressionam além-fronteiras. Apesar de estar a sete pontos do líder FC Porto, os leões têm sido consistentes e competitivos, sobretudo em casa. Na UEFA Champions League, sob o comando de Rui Borges, o Sporting venceu três jogos consecutivos em Alvalade — algo que nunca tinha acontecido na história do clube na competição.

Para o L’Équipe, este dado não é um detalhe: é um sinal claro de crescimento europeu. E é nesse contexto que surge o confronto com o PSG, campeão europeu e favorito natural. Mas, como sublinha Carlos Correia, Rui Borges é um treinador que nunca desiste. «Acredita sempre que é possível inverter uma situação. Trabalhou toda a carreira para chegar a um projeto como o do Sporting», afirma.

O antigo treinador vai ainda mais longe e deixa uma previsão ambiciosa: «Não tenho qualquer dúvida de que continuará a ter sucesso no clube e fará parte dos melhores treinadores do Mundo». Uma afirmação forte, que pode soar exagerada para alguns, mas que ganha peso quando vem acompanhada do respeito de uma publicação como o L’Équipe.

De jogador anónimo a treinador respeitado além-fronteiras, Rui Borges é hoje um símbolo de que o futebol ainda permite histórias improváveis. Frente ao PSG, não parte como favorito — mas já mostrou que, no seu percurso, nunca precisou desse rótulo para vencer.

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