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Mourinho precisa de olhar para Amorim para salvar o futuro do Benfica

 


Em quatro meses, a época do Benfica nas competições nacionais ficou praticamente comprometida. Talvez José Mourinho nem continue na Luz em 2026/2027, mas a temporada 2025/2026 ainda pode servir para lançar bases que deem frutos mais tarde — se houver visão, coragem e memória recente.

Não faço a menor ideia sobre a continuidade ou mesmo a vontade de José Mourinho em permanecer no Benfica para lá desta época. A aura do regresso do Special One dissipou-se rapidamente e, em apenas quatro meses, a temporada encarnada ficou sentenciada nas provas internas. O campeonato tornou-se um sonho quase irreal, com 10 pontos de atraso para o FC Porto, as Taças já desapareceram do horizonte e resta à Champions League a função de último teste de orgulho — começando pelo exigente jogo em Turim.

É verdade que há diferenças contextuais relevantes. O Sporting de Ruben Amorim, em 2020, estava a recuperar de um ataque à Academia e vivia um momento institucionalmente frágil. Amorim e Mourinho pensam o jogo de forma diferente e, ainda assim, o cenário atual do Benfica impõe uma reflexão inevitável: até que ponto não fará sentido olhar para o que foi feito em Alvalade para preparar o futuro da Luz?

Mesmo que o título seja uma miragem, acabar em 2.º lugar — com acesso direto à Champions League — é substancialmente diferente de terminar em 3.º, empurrado para a Liga Europa. Mas mais importante do que a classificação final é o caminho até lá. E o passado recente do Benfica mostra que os campeonatos ganhos tiveram sempre um denominador comum: a aposta firme na formação. Em 2018/2019, Bruno Lage lançou Rúben Dias, Ferro, Florentino e João Félix. Em 2022/2023, Roger Schmidt contou com António Silva e João Neves como pilares inesperados, mas decisivos.

Depois do jogo em Vila do Conde, Rui Costa falou em «continuar o bom caminho». A questão é perceber qual é esse caminho quando a época parece reduzida a cinzas e, a meio desta década, o Benfica soma apenas um campeonato, uma Taça da Liga e duas Supertaças no futebol masculino. Nem tudo está mal na Luz — a formação continua a ser uma boia de salvação —, mas é legítimo perguntar para que serve essa riqueza se não é usada nos momentos certos.

Quando Ruben Amorim chegou ao Sporting, em março de 2020, apanhou uma equipa destroçada, com 10 jornadas por disputar e instalada no 4.º lugar. Desportivamente, pouco havia a fazer nesse campeonato — os leões terminariam na mesma posição —, mas Amorim percebeu algo fundamental: aquele tempo servia para construir. Olhou para a formação, lançou jovens, criou rotinas e identidade. Um ano depois, os frutos estavam à vista: Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes e Eduardo Quaresma tiveram papéis relevantes na conquista do título.

É aqui que Mourinho precisa de olhar para Amorim. Não para copiar ideias táticas, mas para compreender o momento. Se o presente já não se pode salvar totalmente, o futuro exige decisões corajosas agora. A época pode ainda não valer troféus, mas pode — e deve — valer um projeto. Caso contrário, o Benfica arrisca-se a perder não só mais um ano, mas também mais uma geração.

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