š„ Porto repete erro do Benfica? Renovação de Farioli lembra fantasma Schmidt e divide adeptos
A rivalidade entre Benfica e FC Porto vive tanto dentro das quatro linhas como nas decisƵes tomadas nos gabinetes. A mais recente renovação de Francesco Farioli com o FC Porto abriu espaƧo a comparaƧƵes inevitĆ”veis com um episódio ainda bem fresco na memória dos adeptos encarnados: a renovação antecipada de Roger Schmidt no Benfica. E a pergunta impƵe-se: estarĆ” o FC Porto a seguir o mesmo caminho… ou a provar que aprendeu com o erro do rival?
NĆ£o hĆ” clubes iguais nem treinadores iguais, mas os paralelismos existem e sĆ£o difĆceis de ignorar. Em ambos os casos, os treinadores receberam confianƧa total dos presidentes antes de conquistarem qualquer tĆtulo. Rui Costa fez isso com Schmidt; AndrĆ© Villas-Boas acaba de o fazer com Farioli. O simbolismo vai muito alĆ©m de uma simples assinatura.
Dois treinadores, a mesma aposta antecipada
No Benfica, Roger Schmidt viu o seu contrato prolongado por mais duas Ć©pocas numa altura em que ainda tinha margem contratual. A decisĆ£o surgiu num contexto de forte entusiasmo, com exibiƧƵes que encantavam o Terceiro Anel e um discurso de projeto sólido. No FC Porto, Farioli tambĆ©m tinha tempo de contrato — mais de duas Ć©pocas e meia — mas Villas-Boas decidiu antecipar a renovação, reforƧando publicamente a ideia de estabilidade e lideranƧa.
Feitas as contas, ambos ficariam ligados aos respetivos clubes durante quatro anos completos, caso cumprissem os contratos atĆ© ao fim. Mas aqui surge a primeira grande diferenƧa: Farioli ficarĆ” atĆ© ao final do mandato de AndrĆ© Villas-Boas, enquanto Schmidt ultrapassava claramente o ciclo eleitoral de Rui Costa, algo que mais tarde se revelou politicamente sensĆvel.
O “efeito Schmidt” ainda pesa na Luz
A renovação de Roger Schmidt foi inicialmente bem recebida, mas o tempo tratou de transformar confianƧa em frustração. Curiosamente, o momento da extensĆ£o contratual coincidiu com uma viragem negativa: o Benfica nunca mais voltou a apresentar o mesmo nĆvel exibicional, e os resultados comeƧaram a falhar nos momentos decisivos.
As crĆticas surgiram mais tarde, sobretudo no final da Ć©poca, quando o encanto desapareceu e a sensação de estagnação se instalou. Para muitos adeptos, aquela renovação precoce marcou o inĆcio do declĆnio — nĆ£o apenas desportivo, mas tambĆ©m estratĆ©gico.
Ć precisamente este “fantasma” que agora ronda o DragĆ£o.
Farioli: mérito real ou precipitação?
No caso do FC Porto, a renovação de Farioli tem uma leitura diferente, mas não menos arriscada. O treinador italiano soma apenas meia época ao comando dos dragões, ainda que com números impressionantes: liderança confortÔvel na Liga, vantagem significativa sobre Sporting e Benfica e um discurso que tem conquistado o universo portista.
No entanto, hĆ” um detalhe que nĆ£o passa despercebido: Farioli ainda nĆ£o foi testado no contexto mĆ”ximo da Liga dos CampeƵes, ao contrĆ”rio de Schmidt no Benfica. AlĆ©m disso, a memória do desfecho dramĆ”tico da Ć©poca 2024/25 no Ajax — onde perdeu tudo na reta final — continua presente para os mais atentos.
A renovação pode ser vista de duas formas:
Se o FC Porto terminar a época em alta, serÔ interpretada como gestão visionÔria e liderança forte;
Se a equipa quebrar, a decisão serÔ rapidamente rotulada como precipitação perigosa, à imagem do que aconteceu na Luz.
Adeptos divididos… como manda a rivalidade
A reação dos adeptos reflete bem o ADN do futebol português.
Os portistas querem que a aposta resulte — nĆ£o apenas pelo sucesso do clube, mas tambĆ©m para provar que o Porto sabe fazer o que o Benfica falhou.
JÔ os benfiquistas observam à distância, muitos deles esperando que a história se repita, agora do outro lado da barricada.
No fundo, o futebol também vive destas narrativas cruzadas, onde cada decisão ganha peso simbólico na rivalidade eterna.
O tempo darƔ a sentenƧa final
A renovação de Farioli une-o a Schmidt num ponto essencial: ambos receberam confianƧa mĆ”xima antes da consagração. A diferenƧa estarĆ” no desfecho. No futebol, como na vida, decisƵes certas no momento errado tornam-se erros — e decisƵes arriscadas no momento certo transformam-se em genialidade.
Por agora, a pergunta continua no ar e alimenta o debate: š o FC Porto estĆ” a construir um ciclo vencedor… ou a repetir um erro que o Benfica conhece demasiado bem?

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