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Fantasma dos Super Dragões volta a assombrar o FC Porto: Fernando Madureira enfrenta o tudo ou nada no Tribunal da Relação



O passado mais negro do FC Porto voltou esta quarta-feira a bater à porta do futebol português. Fernando Madureira, antigo líder dos Super Dragões e figura histórica — e polémica — do universo azul e branco, está novamente diante da Justiça. O palco já não é o Dragão nem as bancadas, mas sim o Tribunal da Relação do Porto, onde a Operação Pretoriano entra numa fase absolutamente decisiva.

Conhecido como “Macaco”, Fernando Madureira permanece em prisão preventiva e tenta agora evitar que a sua queda seja definitiva. Condenado em primeira instância a três anos e nove meses de prisão efetiva, o ex-chefe da claque mais influente do país pede a absolvição ou, no mínimo, uma pena suspensa. Mas o risco é real: pode sair ainda mais castigado.

Um processo que mancha o nome do FC Porto

A Operação Pretoriano não é apenas um caso judicial. É uma ferida aberta na história recente do FC Porto. Durante décadas, os Super Dragões foram um símbolo de apoio fervoroso, mas também de medo, intimidação e poder paralelo. Fernando Madureira foi o rosto, a voz e o punho dessa estrutura.

O Ministério Público considera que o antigo líder da claque usou o futebol como cobertura para práticas de coação, ameaças e violência organizada, criando um ambiente de intimidação que ultrapassou largamente os limites do apoio clubístico. A condenação em primeira instância foi vista como um murro na mesa da Justiça — algo raramente visto no futebol português.

Agora, o caso pode ganhar novos contornos.

MP quer penas ainda mais pesadas

Se Madureira tenta aliviar a sentença, o Ministério Público quer exatamente o contrário. O MP também recorreu para o Tribunal da Relação e exige uma resposta mais dura: pena agravada para Fernando Madureira e prisão efetiva para outros arguidos ligados ao núcleo duro dos Super Dragões.

Entre eles estão Sandra Madureira, Vítor Catão, Hugo Carneiro “Polaco” e os dois arguidos conhecidos como “Aleixo”, todos inicialmente condenados com penas suspensas. Para o MP, essas decisões foram demasiado brandas para a gravidade dos factos provados.

Ou seja, Fernando Madureira não luta apenas para sair em liberdade — luta para não afundar ainda mais.

Audiência presencial: sinal de alerta máximo

A decisão dos juízes desembargadores de aceitarem uma audiência presencial é reveladora da importância do processo. Não se trata de um recurso técnico qualquer. Está em causa um caso que pode criar jurisprudência no combate à criminalidade associada às claques organizadas.

O próprio Madureira sabe que este momento pode marcar o ponto final da sua influência no futebol português. Já não há megafone, nem cortejos, nem poder informal. Resta-lhe o banco dos arguidos.

O FC Porto volta a ser arrastado para o centro da polémica

Embora o FC Porto não seja arguido no processo, o impacto reputacional é inevitável. O nome do clube volta a surgir associado ao caso mais pesado alguma vez ligado a uma claque em Portugal. Um processo que expõe ligações perigosas entre futebol, medo e controlo social.

Numa altura em que os dragões tentam reconstruir imagem, estabilidade e liderança, a sombra de Fernando Madureira continua a pairar. Cada avanço da Operação Pretoriano reabre o debate sobre anos de permissividade, silêncio e conveniência.

Justiça tardia, mas inevitável?

Durante muito tempo, falar dos Super Dragões era tabu. Hoje, o tema senta-se nos tribunais. A Justiça avança onde antes imperava o medo. E a decisão do Tribunal da Relação poderá enviar uma mensagem clara: ninguém está acima da lei, nem mesmo quem reinou nas bancadas do Dragão.

Para Fernando Madureira, o cenário é extremo:

ou consegue aliviar a condenação,

ou arrisca-se a ver confirmada — ou agravada — a pena de prisão.

Para o futebol português, o momento é histórico.

Para o FC Porto, é um ajuste de contas com o passado.

O fantasma dos Super Dragões está de volta.

E desta vez, a Justiça não parece disposta a olhar para o lado.

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