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Benfica: Mourinho protege Pavlidis após falhanço escandaloso no Dragão e envia mensagem forte ao balneário

 


O falhanço de Vangelis Pavlidis aos 90+1 minutos do clássico no Estádio do Dragão poderia ter marcado negativamente não apenas o jogo, mas também o resto da época do avançado grego. Sozinho, com a baliza praticamente escancarada e Diogo Costa fora do lance, o ponta de lança do Benfica desperdiçou uma oportunidade clara de golo que poderia ter levado o jogo para prolongamento e mantido viva a esperança na Taça de Portugal. O desfecho foi cruel: derrota por 0-1 e eliminação da prova rainha.

No entanto, José Mourinho não permitiu que esse momento se transformasse num fardo psicológico para o jogador — nem num problema interno no balneário. Pelo contrário. O treinador dos encarnados reagiu com frieza, autoridade e uma mensagem clara: Pavlidis não será responsabilizado pela eliminação e continuará a ser uma peça central no projeto da equipa até ao final da temporada.

Um lance que podia ter mudado tudo

O momento aconteceu já no período de compensação. Após uma jogada rápida, a bola sobrou para Pavlidis em posição privilegiada. A linha de golo estava a pouco mais de dois metros, o guarda-redes do FC Porto estava batido, e o empate parecia inevitável. Mas o remate saiu desenquadrado, provocando incredulidade dentro e fora do relvado.

A reação do internacional grego foi imediata e humana. Pavlidis levou as mãos à cabeça, abanou repetidamente o rosto em sinal de frustração e ficou visivelmente abalado. No final do encontro, apesar do desalento, dirigiu-se à bancada visitante para aplaudir os adeptos do Benfica, com um olhar pesado e distante, consciente do peso daquele momento.

Mourinho fecha a porta à caça ao culpado

José Mourinho percebeu rapidamente que aquele falhanço poderia tornar-se um ponto de rutura emocional, tanto para o jogador como para o grupo. Por isso, a reação do treinador foi calculada e firme. Internamente, passou a mensagem de que o futebol não se resume a um único lance e que a eliminação não pode ser atribuída a um só jogador.

Para Mourinho, a gestão emocional do plantel é tão importante quanto o plano tático. E, neste caso, proteger Pavlidis foi visto como essencial para manter a coesão do grupo numa fase já de si delicada da temporada.

Números que falam por si

Se o lance falhado no Dragão foi marcante, os números de Vangelis Pavlidis ao longo da época ajudam a contextualizar a importância do avançado no Benfica. O grego é atualmente o melhor marcador da equipa, com 24 golos e três assistências em todas as competições.

Na Liga, lidera a tabela de goleadores com 17 golos, mais dois do que Luis Suárez, do Sporting, sendo uma das principais razões pelas quais o Benfica continua competitivo no campeonato, apesar das dificuldades.

Além disso, Pavlidis é um dos jogadores mais utilizados por José Mourinho. Soma 33 jogos e 2.636 minutos, sendo o quarto atleta com mais tempo em campo no plantel, apenas atrás de Aursnes (2.898), Dahl (2.797) e Otamendi (2.790). Um estatuto que reflete confiança total da equipa técnica.

Confiança intacta no ponta de lança

Para Mourinho, os grandes avançados definem-se pela capacidade de reagir aos momentos difíceis. Falhar faz parte do jogo — sobretudo para quem está constantemente exposto à pressão de decidir partidas.

A mensagem passada ao balneário foi clara: Pavlidis continuará a ser aposta, continuará a assumir responsabilidades e continuará a ser chamado a decidir jogos. O treinador acredita que o grego ainda terá um papel decisivo até ao final da época e que este episódio, longe de o fragilizar, pode até fortalecê-lo.

Um Benfica ferido, mas unido

A eliminação da Taça de Portugal juntou-se à queda na Taça da Liga e ao cenário complicado na UEFA Champions League, aumentando a pressão sobre a equipa. Ainda assim, Mourinho quer evitar que o ambiente se transforme em caça às bruxas.

Proteger Pavlidis foi também uma forma de proteger o coletivo. O treinador sabe que um balneário dividido ou emocionalmente fragilizado pode comprometer o único grande objetivo ainda em aberto: o campeonato.

Olhar em frente, sem fantasmas

O Benfica prepara agora a visita ao Rio Ave, num jogo que Mourinho considera decisivo para testar a capacidade de reação da equipa. O treinador quer uma resposta imediata e um grupo focado no presente, sem fantasmas do Dragão.

Quanto a Pavlidis, a mensagem é inequívoca: o falhanço ficou no passado. O futuro ainda reserva oportunidades — e o Benfica precisará do seu melhor marcador em plena forma física e mental.

No futebol, os heróis e os vilões mudam de jogo para jogo. José Mourinho sabe disso melhor do que ninguém. E, desta vez, escolheu não deixar cair o seu ponta de lança.

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