Benfica fecha a porta aos fantasmas e encara a segunda metade da época como uma nova folha em branco
A derrota frente ao FC Porto, por 1-0, no Estádio do Dragão, e a consequente eliminação da Taça de Portugal, deixou marcas no universo benfiquista. Mais do que um desaire num clássico, o resultado representou o afastamento de mais uma competição interna e reforçou a sensação de instabilidade que tem acompanhado a época das águias. No entanto, José Mourinho quer evitar que o passado recente se transforme num peso psicológico para o grupo e trabalha já no sentido de fechar a porta aos fantasmas, apelando a uma reação imediata.
O treinador do Benfica tem sido claro na mensagem transmitida ao plantel: a segunda metade da temporada deve ser encarada como uma nova oportunidade, uma “folha em branco”, onde os erros anteriores não podem condicionar o desempenho futuro. O foco está agora na recuperação emocional da equipa e na preparação do próximo desafio, já este sábado, frente ao Rio Ave, em Vila do Conde, a contar para a 18.ª jornada da Liga.
Resposta imediata é exigida
Após as eliminações na Taça da Liga e na Taça de Portugal, Mourinho entende que não há margem para lamentos prolongados. O técnico quer uma resposta forte e imediata no campeonato, competição que surge, neste momento, como o principal objetivo ainda em aberto na época.
O Benfica ocupa atualmente uma posição delicada na tabela classificativa, mas mantém-se na luta. As águias estão a apenas três pontos do Sporting, segundo classificado, e a dez do FC Porto, líder da Liga. Um cenário que, apesar de exigente, ainda permite sonhar com uma recuperação, desde que a equipa consiga encontrar estabilidade, regularidade e confiança nos jogos que se seguem.
Campeonato assume protagonismo total
Com as competições a eliminar fora do caminho, o campeonato passa a ser a prioridade absoluta do clube da Luz. A direção, a equipa técnica e os jogadores sabem que cada jornada será decisiva numa luta que promete prolongar-se até ao final da temporada.
José Mourinho tem reforçado internamente a ideia de que o Benfica não pode desperdiçar mais pontos e que cada jogo deve ser encarado como uma final. O objetivo é claro: reduzir a distância para os rivais diretos e manter a pressão até às últimas jornadas, numa prova onde a consistência costuma ser determinante.
Europa em cenário pouco animador
No plano europeu, o cenário também não é o mais favorável para os encarnados. Na UEFA Champions League, o Benfica ocupa o 25.º lugar na fase de liga, com um registo de duas vitórias e três derrotas. As perspetivas de apuramento são complicadas, ainda para mais tendo em conta o calendário exigente que se avizinha.
Até ao final desta fase, as águias terão pela frente dois adversários de enorme peso: Juventus e Real Madrid. Jogos de grau máximo de dificuldade, que exigirão uma equipa concentrada, competitiva e emocionalmente forte, sob pena de o percurso europeu terminar de forma precoce.
Mourinho satisfeito com a exibição no Dragão
Apesar da eliminação na Taça de Portugal, José Mourinho não fez uma leitura totalmente negativa do clássico no Estádio do Dragão. O treinador considera que o Benfica realizou uma boa exibição, sobretudo tendo em conta as limitações com que se apresentou ao jogo.
A ausência de Nicolás Otamendi, capitão da equipa e referência defensiva, devido a castigo, foi particularmente sentida. Ainda assim, Mourinho elogiou a atitude dos jogadores, a organização da equipa e a capacidade de competir num dos ambientes mais exigentes do futebol português.
Na ótica do técnico, o resultado não refletiu totalmente o que se passou em campo, mas reconhece que, em jogos desta dimensão, a eficácia é determinante — e o Benfica voltou a falhar nesse capítulo.
Recuperar confiança e identidade
Um dos grandes desafios de Mourinho passa agora por devolver confiança ao plantel e reforçar a identidade coletiva da equipa. O treinador acredita que o grupo tem qualidade suficiente para reagir, mas sublinha a importância de manter a cabeça fria e a concentração máxima.
O discurso interno é de superação e responsabilidade. Não há espaço para desculpas nem para dramatizações excessivas. O passado recente serve apenas como aprendizagem, nunca como âncora emocional.
Rio Ave como teste à maturidade
A deslocação a Vila do Conde surge como um teste imediato à maturidade da equipa encarnada. O Rio Ave é tradicionalmente um adversário complicado em casa e chega ao jogo com mais tempo de descanso, fator que Mourinho não ignora.
Ainda assim, o treinador exige uma equipa competitiva, capaz de impor o seu jogo e demonstrar, dentro das quatro linhas, que a eliminação no Dragão não deixou sequelas irreversíveis.
Uma época ainda em aberto
Apesar do contexto adverso, o Benfica recusa atirar a toalha ao chão. A época está longe de terminada e Mourinho quer que os jogadores olhem para o futuro com ambição renovada.
Fechar a porta aos fantasmas do passado é o primeiro passo. A partir daí, cada jogo será uma oportunidade para reconstruir confiança, credibilidade e resultados — elementos essenciais para um clube que vive de vitórias e não se conforma com épocas inconclusivas.

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