Renovação de risco: Farioli será Amorim ou repetir-se-á o caso Schmidt?
Percebo a decisão de André Villas-Boas em renovar contrato com o treinador, mas considero-a precipitada. Este é o Livre sem barreira, espaço de opinião de Hugo do Carmo.
André Villas-Boas renovou o contrato com Francesco Farioli até 2028, pouco mais de seis meses após o treinador chegar ao FC Porto. Uma enorme prova de confiança e também uma jogada de antecipação.
Numa altura em que Farioli já estava a ser apontado à Premier League, primeiro ao Chelsea e depois ao Manchester United, o presidente dos dragões não quis esperar mais e chegou a acordo com o italiano para ampliar o vínculo.
Percebo Villas-Boas. O FC Porto está bem e recomenda-se. O percurso no campeonato é absolutamente fantástico, com uma primeira volta extraordinária, sem derrotas e com 16 vitórias em 17 jogos. Isto depois, convém não esquecer, da desoladora temporada transata, que só poderia terminar como terminou: com o despedimento do erro de casting que foi Martín Anselmi.
Depois de não acertar na escolha do treinador argentino, como também não foi bem-sucedida a aposta em Vítor Bruno, Villas-Boas quis premiar Francesco Farioli, que já convenceu tudo e todos no universo azul e branco.
Esta decisão do presidente dos dragões recordou-me as dos homólogos de Sporting e Benfica. Em 2022, Frederico Varandas renovou contrato com Ruben Amorim, que tinha chegado dois anos antes a Alvalade, por quatro épocas. Ninguém a questionou, até porque o agora ex-treinador do Manchester United foi campeão logo na primeira temporada completa no Sporting, quebrando um longo jejum de 19 anos.
No Benfica, situação idêntica. Roger Schmidt chegou à Luz em 2022 e logo na primeira época conquistou o título nacional. Antes mesmo de o celebrar, Rui Costa e o alemão renovaram, em março de 2023, o contrato, também até 2026. A decisão foi, na altura, bem aceite.
Tudo, contudo, mudou rapidamente. Com o Sporting a sagrar-se campeão no ano seguinte, Roger Schmidt perdeu créditos na Luz. O segundo lugar soube a muito pouco e o alemão acabou despedido no início da época 2024/2025, obrigando o Benfica a uma indemnização milionária.
Já Amorim não resistiu ao encanto da Premier League e rumou a Inglaterra, deixando o Sporting a meio da época. O contrato renovado não impediu a saída, limitando-se os leões a receber o valor da cláusula de rescisão.
Como já escrevi, percebo a decisão de Villas-Boas, mas considero-a precipitada. Farioli tinha contrato até 2027 e ainda não ganhou nada. Mesmo que ganhe — o mais provável é que conquiste, pelo menos, a Liga —, como se viu com Ruben Amorim, não é um contrato longo que trava os tubarões europeus. E se não ganhar, como Rui Costa bem sabe, o problema agrava-se. E muito.

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