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Mourinho expõe o problema, mas o Benfica continua a olhar para fora

 


No passado recente, já tivemos clubes como Benfica e FC Porto a recuperar de desvantagens pontuais consideráveis e a sagrarem-se campeões. Apesar de no futebol não existirem impossíveis, esta época a missão do Benfica é claramente mais complexa, pois terá de recuperar pontos não de um, mas de dois rivais diretos, o que torna o desafio muito mais exigente.

José Mourinho disse recentemente que muitos jogadores ainda não sabem o que é o Benfica. Concordo plenamente. E o facto de o treinador o afirmar publicamente é, por si só, revelador: algo não está a funcionar dentro da estrutura. A questão que se impõe é simples, mas incómoda — será que quem lidera o clube sabe, verdadeiramente, o que é o Benfica? Há motivos sérios para duvidar.

Um exemplo claro foi protagonizado por Nuno Costa, assessor do presidente, que apenas um mês após as eleições publicou uma mensagem descontextualizada, provocatória e deselegante, apontando o dedo a sócios críticos. Num momento que exigia união, promoveu-se a divisão. Este episódio não é apenas um erro individual: revela uma indefinição clara de papéis dentro da estrutura e uma liderança frágil, algo raro em organizações com autoridade bem definida.

Um assessor da presidência tem o dever institucional de representar todos os sócios. Quando falha nesse princípio, o problema deixa de ser pessoal e passa a ser estrutural. Em clubes com liderança forte, este tipo de comportamento teria consequências claras.

Outro momento revelador surgiu após o jogo com o SC Braga, quando Mourinho, depois de criticar a arbitragem, afirmou:

«Eventualmente, o clube, enquanto instituição, pode querer fazer algo, ou não, e seguir a linha de estar habituado e acomodar-se à situação.»

Mourinho tem legitimidade para analisar jogos, mas cabe à liderança do clube agir com racionalidade, protegendo os valores e a imagem da instituição. A reação oficial do Benfica nas redes sociais, seguida das declarações de Rui Costa, levantou dúvidas sérias sobre a cadeia de decisão e expôs uma presidência mais reativa do que estratégica.

O risco é evidente: se o treinador sair, o clube pode ficar sem rumo. Além disso, não é sustentável criticar arbitragens ignorando momentos em que a equipa foi beneficiada. A coerência institucional é essencial.

O problema não é o treinador

Nos últimos anos, o grande problema do Benfica não tem sido o treinador. É estrutural. Não foi Roger Schmidt, nem Bruno Lage, e provavelmente não será José Mourinho a resolver um problema que vai muito além do relvado. Um treinador pode mascarar falhas no curto prazo, sobretudo se os rivais estiverem instáveis — mas esse não parece ser o cenário atual.

A instabilidade do projeto é evidente. Só em 2024/25, o Benfica contratou 12 jogadores, muitos dos quais já não fazem parte do plantel. Esta rotatividade impede qualquer consolidação de identidade e contrasta com o que acontece no Sporting, que consegue manter os seus principais ativos durante duas ou três épocas.

A pergunta impõe-se:

por que razão o Benfica vende jogadores após um único ano positivo, enquanto os rivais constroem continuidade?

Enquanto o clube insistir em olhar para fora — arbitragens, ruído mediático, narrativas de perseguição — sem resolver os problemas internos de liderança, cultura e estrutura, continuará a dominar debates, manchetes e redes sociais… mas não o campeonato.

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