«Desistir, nunca»: Mourinho defende Benfica após derrota no Dragão e revela lesão importante de Ríos
José Mourinho saiu do Estádio do Dragão derrotado no resultado, mas firme nas convicções. Após o desaire por 1-0 frente ao FC Porto, que ditou a eliminação do Benfica da Taça de Portugal, o treinador encarnado deixou uma mensagem clara: a equipa merecia mais, mostrou personalidade e não vai desistir dos objetivos que restam na temporada.
Na conferência de Imprensa que se seguiu ao clássico, Mourinho fez uma análise detalhada da partida, elogiou a atitude dos seus jogadores, explicou as opções táticas tomadas e revelou que Richard Ríos atuou condicionado por uma lesão, acabando por sair devido a problemas físicos. Apesar do golpe sofrido com a eliminação, o técnico garantiu que o Benfica continua focado no futuro imediato.
«Merecíamos outro resultado»
Questionado sobre se o Benfica merecia um desfecho diferente, Mourinho não hesitou na resposta. Para o treinador, a exibição das águias justificava, no mínimo, um empate.
“Acho que merecia. Não é fácil jogar contra o FC Porto, principalmente no Dragão, e fazê-lo como fizemos… merecíamos obviamente mais”, afirmou.
O técnico destacou um lance perto do final do encontro como símbolo do que foi o jogo. “A oportunidade perdida aos 90 minutos é elucidativa do que estou a dizer. Não tivemos 10 oportunidades, mas as que tivemos chegavam para fazer golo e para ter um resultado completamente diferente”, sublinhou.
Mourinho reforçou que o Benfica controlou bem o jogo, apesar das limitações com que entrou em campo. “Não tivemos problemas no jogo. Controlámos bem, com todas as ausências e substituições forçadas que tivemos. Os rapazes estiveram muito bem”, acrescentou.
A aposta na ousadia: Sidny e Prestianni
Uma das decisões que mais chamou a atenção foi a aposta inicial em Sidny Lopes Cabral e Prestianni, numa abordagem mais ofensiva do que aquela vista no campeonato. Mourinho explicou a lógica por trás dessa escolha.
“O objetivo foi ter jogadores abertos, que limitassem o jogo ofensivo dos laterais do FC Porto e que, ao mesmo tempo, pressionassem”, explicou, lembrando lances em que a estratégia quase deu frutos, nomeadamente numa jogada iniciada por Schjelderup que terminou em assistência.
O treinador frisou ainda que, face às ausências importantes no plantel, era necessário assumir mais riscos e procurar ter bola. “Precisávamos de ser mais agressivos. Sem Otamendi, sem Enzo… tivemos de adaptar”, afirmou.
Ríos jogou condicionado: «uma lesão importante»
Um dos pontos mais relevantes da conferência foi a revelação sobre a condição física de Richard Ríos. Mourinho confirmou que o médio já entrou em campo limitado e acabou por sair devido a problemas físicos.
“A equipa jogou com o Ríos, que já começou limitado e depois saiu. Perdemos fisicalidade contra uma equipa que vive da fisicalidade”, explicou.
O treinador associou essa perda de poder físico ao lance do golo sofrido, explicando que a equipa ficou em desvantagem num momento-chave. “No próprio 1-0, metemos os mais altos a defender a zona e os de metro e meio a marcar gigantes. O golo aparece numa situação que temíamos que pudesse acontecer”, disse.
Ainda assim, Mourinho destacou que, depois do golo, o Benfica teve controlo quase total do jogo. “Não se viu jogo ofensivo do adversário, não se viram transições, nem remates à baliza”, garantiu.
«Ganhar é o mais importante»
Apesar de reconhecer o mérito do FC Porto no resultado final, Mourinho foi fiel à sua filosofia competitiva. “Ganhar é o mais importante. Não interessa como. O FC Porto ganhou, não interessa como”, afirmou.
No entanto, fez questão de deixar um elogio público ao grupo que lidera. “Estou contente com a minha equipa. Se há dias estava chateado com eles, hoje estou chateado é com o resultado. Um abraço aos meus jogadores, a quem não tenho nada a apontar.”
Eliminação não muda o foco
Confrontado com o impacto pessoal da eliminação, Mourinho mostrou-se incomodado com a pergunta e rejeitou qualquer leitura emocional negativa. “Porque é que diz ‘pessoalmente’? Estou sempre aqui para ganhar”, respondeu.
O treinador deixou claro que o Benfica vira imediatamente a página e aponta já ao próximo compromisso. “Estou focado em ganhar sábado. Quando não há provas para ganhar, há jogos para ganhar”, afirmou, referindo-se ao duelo frente ao Rio Ave.
Mourinho alertou para as dificuldades do calendário e para o desgaste da equipa. “Jogar aqui ao ritmo que jogámos, voltar para Lisboa e regressar daqui a 48 horas para jogar com um Rio Ave fresco… seguramente será difícil”, admitiu.
Ainda assim, a mensagem final foi de resistência e ambição. “Somos uma equipa com muitos objetivos, apesar do grupo limitado e das ausências. O objetivo não muda. Há um jogo para tentar ganhar sábado.”
Uma mensagem clara: «Desistir, nunca»
A derrota no Dragão representou mais uma desilusão numa época irregular do Benfica, mas José Mourinho fez questão de deixar uma ideia forte: a equipa não está derrotada emocionalmente nem competitivamente. Entre elogios aos jogadores, explicações táticas e um discurso de exigência, o treinador reforçou o ADN competitivo que sempre o caracterizou.
No Benfica de Mourinho, desistir não é opção — mesmo quando o resultado não acompanha a exibição.

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