137 milhões queimados: o mercado mais caro da história do Benfica foi um desastre
Nunca o Benfica investiu tanto numa única janela de transferências. No verão, a SAD encarnada gastou 137,8 milhões de euros em reforços, um valor absolutamente recorde no futebol português e comparável ao de clubes de média dimensão das grandes ligas europeias. Seis meses depois, o saldo é preocupante: resultados aquém das expectativas, eliminações precoces nas taças e um treinador que, apesar do investimento histórico, continua a pedir reforços.
A promessa era clara: construir um plantel capaz de dominar internamente e competir na Europa. A realidade, porém, expõe um cenário bem diferente.
Um investimento histórico… sem retorno desportivo
O Benfica apostou forte no mercado:
27 milhões por Richard Ríos
27 milhões por Sudakov (apenas 75% do passe, fora bónus)
22,8 milhões por Ivanovic
20 milhões por Lukebakio
15 milhões por Barrenechea
12 milhões por Dedic
9 milhões por Dahl
5 milhões por Obrador
No papel, um mercado ambicioso e recheado de nomes com potencial internacional. No relvado, poucos convenceram. À exceção de Dedic — e mesmo esse sem unanimidade — a maioria dos reforços não se afirmou como titular indiscutível nem elevou o nível coletivo da equipa.
O resultado está à vista: o Benfica caiu na Taça da Liga, foi eliminado da Taça de Portugal, está longe do primeiro lugar no campeonato e ocupa uma posição delicada na UEFA Champions League, fora até da zona de play-off.
Mourinho pede… mais reforços
O cenário torna-se ainda mais polémico quando se ouvem as palavras de José Mourinho. Apesar do investimento milionário, o treinador assumiu publicamente a necessidade de contratar um extremo e um ponta de lança com jogo aéreo, sinal claro de que o plantel está longe de ser considerado completo.
A contradição é evidente:
Como pode um clube gastar quase 140 milhões de euros e, poucos meses depois, o treinador sentir que faltam peças essenciais?
A explicação oficial aponta para a transição técnica. Muitos dos jogadores foram contratados a pensar em Bruno Lage, não em Mourinho. Ainda assim, esse argumento levanta outra questão: como é possível investir tanto sem uma visão estrutural clara e transversal?
Vendas atenuam, mas não apagam o problema
É verdade que o Benfica também vendeu bem. Carreras saiu por 50 milhões, Kokçu por 25, Akturkoglu por 22,5. Financeiramente, o clube manteve equilíbrio. Mas desportivamente, as substituições não produziram impacto semelhante.
Além disso, o mercado vive uma inflação evidente: jogadores que custariam 15 milhões há dois ou três anos hoje valem 25. Mesmo aceitando essa realidade, é difícil justificar que um investimento desta dimensão resulte num plantel curto, desequilibrado e dependente de soluções improvisadas.
Falha de scouting, de planeamento… ou de liderança?
A pergunta impõe-se:
o problema é José Mourinho, demasiado exigente e “esquisito”?
Ou foi o Benfica que falhou redondamente na avaliação, no scouting e no planeamento estratégico?
Quando se investem 27 milhões num médio, espera-se um jogador diferenciador. Quando se pagam valores de topo europeu, exige-se rendimento imediato. O que se vê, porém, é um Benfica sem identidade clara, sem consistência e sem capacidade para decidir jogos grandes.
O mais grave é que este não é apenas um erro pontual. Trata-se do mercado mais caro da história do clube — e, até ao momento, um dos menos eficazes.
Um alerta que não pode ser ignorado
O futebol não se mede apenas em balanços financeiros. Mede-se em títulos, em jogos grandes, em afirmação europeia. E, nesse campo, o Benfica está a falhar.
Os 137 milhões de euros não são apenas um número. Representam expectativas, promessas e ambições. Quando essas ambições não se refletem no relvado, o debate deixa de ser técnico e passa a ser estrutural.
Se nada mudar, este mercado não será lembrado como ambicioso — mas como o maior desperdício financeiro da história do futebol português.
E a pergunta final fica no ar, cada vez mais incómoda:
quem vai assumir a responsabilidade pelos 137 milhões queimados?

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