“Vi a jogada 30 vezes”: Iturralde González arrasa penálti no Santa Clara–Sporting e fala em simulação
A polémica em torno do Santa Clara–Sporting, a contar para a Taça de Portugal, continua a gerar fortes reações dentro e fora de Portugal. Desta vez, foi Iturralde González, antigo árbitro internacional espanhol e uma das vozes mais respeitadas da arbitragem europeia, quem veio a público condenar de forma clara e inequívoca a decisão de João Pinheiro e da equipa de VAR em assinalar grande penalidade a favor dos leões.
Em declarações ao jornal Record, Iturralde González revelou ter analisado o lance dezenas de vezes, chegando a uma conclusão que contraria a decisão tomada no relvado e confirmada após uma longa revisão de VAR, que se prolongou por cerca de 12 minutos e acabou por marcar de forma decisiva o rumo da eliminatória.
“Não é suficiente para marcar penálti”
O antigo juiz espanhol não deixou margem para dúvidas quanto à sua leitura do lance envolvendo Morten Hjulmand e Tiago Duarte, já dentro da área do Santa Clara e em período de compensação.
“Vi a jogada 20 ou 30 vezes. Não é suficiente para se assinalar penálti”, começou por afirmar.
Segundo Iturralde González, existe um contacto mínimo, mas longe de justificar uma grande penalidade, sobretudo à luz dos critérios atualmente exigidos para a intervenção do VAR.
“O jogador do Santa Clara põe a mão na cara ao saltar, mas creio que o Hjulmand se atira. Quando a mão toca na cara, passa um segundo, o jogador do Sporting apercebe-se do contacto e deixa-se cair”, explicou.
Para o especialista, o tempo entre o contacto e a queda é determinante na análise arbitral, afastando a ideia de uma falta clara e imediata.
Falta de “ação e reação” invalida a decisão
Iturralde González foi ainda mais longe na sua análise técnica, sublinhando que o lance não cumpre os princípios básicos usados pelos árbitros para validar faltas dentro da área.
“Não é das jogadas em que se é atingido e se cai de imediato. Ação e reação, como dizem os árbitros. Não é uma jogada de ação/reação, não é uma jogada em que se atinge e se derruba”, reforçou.
O antigo internacional espanhol considera que o lance não se enquadra de todo no conceito de “penálti claro, óbvio e manifesto”, condição essencial para justificar a intervenção do VAR.
“Não é uma jogada de VAR, não é uma jogada de penálti claro, óbvio e manifesto”, frisou.
“Vi mais uma simulação do que um golpe”
Um dos pontos mais fortes da análise de Iturralde González prende-se com o comportamento do jogador do Sporting, que considera mais próximo de uma simulação do que de uma infração sofrida.
“Vi mais uma simulação do que um golpe”, atirou, sem rodeios.
Além disso, levantou uma questão técnica ainda mais delicada: a trajetória da bola. Segundo o ex-árbitro, a bola não se dirigia sequer a Hjulmand, mas sim para outro jogador, o que muda completamente o enquadramento disciplinar do lance.
“Se o árbitro assinala penálti, então devia ter expulsado o jogador do Santa Clara por conduta violenta. Se é penálti, é porque viu uma agressão. E se a bola vai para outro lado, estamos a falar de conduta violenta”, explicou.
Ou seja, na ótica de Iturralde González, a decisão tomada não faz sentido em nenhum dos cenários possíveis, o que agrava ainda mais a polémica.
Maioria dos especialistas concorda: erro grave da arbitragem
A opinião do antigo árbitro espanhol vem reforçar o consenso crescente entre os especialistas em arbitragem, tanto nacionais como internacionais. Entre sete ex-árbitros portugueses que analisaram o lance, cinco consideram que a decisão foi errada.
Pedro Henriques, Marco Ferreira, Jorge Faustino, Marco Pina e José Leirós alinham na crítica à decisão de João Pinheiro e do VAR. Apenas dois ex-juízes, Jorge Coroado e Fortunato Azevedo, defenderam a marcação da grande penalidade.
Este desequilíbrio de opiniões evidencia o grau de contestação em torno de um lance que acabou por mudar o rumo do jogo.
Um penálti que mudou tudo nos Açores
A grande penalidade permitiu ao Sporting empatar a partida já para lá do tempo regulamentar, levando o encontro para prolongamento. Aí, os leões acabariam por completar a reviravolta e vencer por 3-2, eliminando o Santa Clara e garantindo presença nos quartos-de-final da Taça de Portugal.
No entanto, o impacto do lance continua a fazer-se sentir, alimentando protestos do clube açoriano, reações públicas de dirigentes, jogadores e agora também críticas contundentes de especialistas internacionais, que colocam novamente a arbitragem portuguesa sob escrutínio intenso.
A polémica promete continuar, numa semana em que o tema da arbitragem voltou a dominar o futebol português — e em que o caso do Santa Clara–Sporting já é apontado como um dos episódios mais controversos da temporada.

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