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Rui Costa insiste e não recua: a arbitragem de Braga continua a manchar o jogo do Benfica

 


Rui Costa não mudou uma vírgula do discurso. Um dia depois do empate polémico entre SC Braga e Benfica (2-2), o presidente das águias voltou a falar — pouco, mas de forma clara — sobre a arbitragem do encontro no Minho. E a mensagem foi direta: a convicção mantém-se intacta.

«Mantenho a opinião, mantenho a opinião», respondeu Rui Costa quando questionado sobre se, com o passar das horas, a sua leitura do jogo tinha sofrido alguma alteração. Não sofreu. Para o líder encarnado, o Benfica continua a ter razões claras de queixa relativamente à atuação da equipa de arbitragem liderada por João Gonçalves, com Tiago Martins no VAR.

O encontro da 16.ª jornada da Liga ficou marcado por vários lances polémicos, mas o que mais incendiou a contestação benfiquista aconteceu já perto do apito final: um golo apontado por Samuel Dahl, que poderia ter dado a vitória ao Benfica, acabou invalidado após intervenção do VAR, por alegada falta de Richard Ríos sobre Vítor Carvalho no início da jogada.

A decisão dividiu opiniões, inflamou bancadas, gerou comunicados implícitos e voltou a colocar a arbitragem portuguesa no centro do debate nacional. Para o Benfica, o critério aplicado foi excessivo e penalizador, sobretudo numa fase decisiva do jogo e do campeonato. Para outros, tratou-se de uma interpretação técnica legítima. O problema, mais uma vez, não foi apenas o lance — foi a falta de consenso, coerência e clareza.

O silêncio relativo de Rui Costa nas horas imediatas ao jogo foi interpretado por alguns como prudência institucional. No entanto, a reafirmação da sua posição demonstra que o clube não pretende deixar cair o tema. Não há recuo, não há suavização do discurso, nem tentativa de desvalorizar o impacto da decisão.

Este episódio surge num contexto particularmente sensível para o Benfica. A equipa orientada por José Mourinho vive uma fase de crescimento competitivo, vinha de uma série positiva e encarava Braga como um teste de maturidade. O empate, aliado à polémica arbitral, teve um efeito duplo: travou a aproximação aos rivais e reacendeu o sentimento de injustiça que tem marcado parte da época encarnada.

Importa sublinhar que também o SC Braga manifestou desagrado com decisões ao longo do encontro, o que reforça a perceção de um jogo mal gerido do ponto de vista arbitral. Quando ambos os clubes saem insatisfeitos, o problema deixa de ser clubístico e passa a ser estrutural.

A arbitragem portuguesa atravessa um período de enorme pressão mediática. O recurso constante ao VAR, longe de pacificar o jogo, tem multiplicado interrupções, interpretações subjetivas e decisões que demoram vários minutos a ser explicadas — quando o são. Neste cenário, cada lance decisivo transforma-se num caso nacional, alimentando suspeitas, ruído e desgaste institucional.

Ao manter publicamente a sua posição, Rui Costa assume um risco calculado: protege o clube e os seus adeptos, mas entra novamente no campo minado da discussão arbitral. Ainda assim, a postura do presidente do Benfica não foi agressiva nem incendiária — foi firme, curta e objetiva. Uma reafirmação, não um ataque.

A grande questão que fica é a de sempre: o que muda depois disto? Sem explicações claras por parte do Conselho de Arbitragem, sem critérios uniformes e sem comunicação eficaz, episódios como o de Braga continuarão a repetir-se. E cada repetição mina um pouco mais a confiança no sistema.

Para o Benfica, o empate já não pode ser alterado. Os pontos perdidos não regressam. Mas a narrativa, essa, continua viva. E enquanto Rui Costa “mantiver a opinião”, o debate sobre Braga estará longe de ficar encerrado.

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